Explicando um Free Walking Tour


A primeira vez que fui em um eu pensava como qualquer um que lê-se o folheto. É um tour, de graça! Ótimo! Logo em seguida pensei, mas como ganham dinheiro? Mesmo não sendo gratuito, segue sendo uma das minhas formas favoritas de conhecer uma cidade. Mas é bom conhecer o modus operandi de um free walking tour.

A idéia do FREE é para chamar sua atenção e funciona, apesar de achar que há outras formas de fazê-lo. Mas um free walking tour, na realidade, implica em que não há um preço fixo e no final você dá uma gorjeta para seu guia, se merecer.

Uma forma que eles ganham – mais – dinheiro é lhe vender tours pagos ao longo do percurso. Como um funil de vendas da vida real. Eles conseguem juntar um grupo bom de pessoas com o chamariz do gratuito e mostram a cidade para você. Enquanto isso vão conhecendo seu público e vendem tours específicos, tailor-made. No meu caso, no free walking tour foi vendido um pub-crawl que terminava no hostel em que eu estava, ótimo para mim!

Outra forma deles ganharem é levar os turistas para visitar lojas de souvenirs e como se fosse um afiliado, ganhar um trocado para cada venda.

Por fim, um ponto muito positivo dos free walking tours também é que geralmente não precisa reservar. É só aparecer na hora. Então se ocorreu algum problema e se atrasar, procura o próximo horário. Geralmente há alguns por dia.

O que você precisa saber

Há algumas coisas importantes a se considerar antes de se aventurar num desses tours.

  1. Não é conhecido como walking tour (tour a pé) a toa. Geralmente involve bastante caminhada já que os tours podem durar 4 horas. O que pode impossibilitar o passeio para deficientes ou famílias com crianças;
  2. Se você for sair do tour antes de seu término, avisa o guia para o mesmo não se preocupar;
  3. Os tours são do tipo “faça chuva ou faça sol”, então é uma boa idéia checar a previsão e se vestir de acordo. Vá preparado;
  4. Outra certeza desses tours é que todo dia tem (as vezes alguns por dia), por isso pode ter tours privados ou grupos até 40 pessoas. Na Europa e tours em inglês geralmente são maiores;
  5. Se seu tour é grande e você quer obter o máximo de informação, não faça parte da turma do fundão;
  6. Não são tours para os aficionados por história, apesar de termos tido sorte com nossos guias. A função deles é contar o básico, com humor e uma certa linha do tempo.
  7. Os tours são ótimos para conhecer a cidade ao chegar e então decidir onde quer se aprofundar;
  8. Se as atrações visitadas são pagas, cabe a cada turista pagar o seu.

Questões éticas

Como a maioria dos modelos de negócios que chegam, há algumas questões éticas que é bom esclarecer e deixar por sua conta se gosta desse modelo de turismo, ou não.

Há diversas empresas que criaram seu negócio ao redor do modelo Free Walking Tour. Há algumas questões que eu pessoalmente tenho ressalvas. Mas se os guias aceitam, ok.

Eles tiram foto dos grupos e isso parece ser bem bacana e vai para o site e tudo. Mas o que se conta é que o guia paga um valor fixo por pessoa que participou do tour e está na foto no início. Atualmente é mais ou menos 3 euros (lá na Europa) por turista.

Mas há problemas aí, se acontece algo que cause desistências (como chuva) o guia paga do mesmo jeito. Geralmente esses guias são estudantes (com direito a 20h/semana) e são registrados como voluntários. Então se cobra de voluntários em cima do trabalho realizado? Parece mais um “jeitinho brasileiro” para burlar o sistema, pelo jeito não somos só “nós” que fazemos isso.

Outro lado

Por outro lado, há muitos casos de estudantes de turismo que se juntam para oferecer esse tour e isso os ajuda a pagar os estudos (diretamente ou não). Outros casos de tours mantidos por caridade e também por locais encontrando um jeito de ganhar dinheiro.

A questão é que eu acho um modelo válido, para o turista é mais barato e para os guias, depende só deles. Apesar de terem que se “virar nos 30” sendo atores, historiadores, comediantes enquanto contam uma história. Mantendo o público atento e ligado durante 2 a 4 horas. A recompensa geralmente está diretamente proporcional ao seu conhecimento e esforço para com o trabalho.

Marcos e Cau no Free Walking Tour - Cusco, Peru

Marcos e Cau no Free Walking Tour – Cusco, Peru

Marcos

Nascido na Austrália, 28 anos, formado em Administração de empresa. Primeiro aventura foi em 2007 em um mochilão pela Bolívia e desde então não parou mais. Pratica esportes de aventura e ainda fotografa. Iniciante no mundo de vídeo (captação e edição).

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