Veleiro da Colômbia ao Panamá


Barco a vela e pesqueiro em frente a ilha paradisíaca

Longos trajetos, em qualquer viagem, são geralmente evitados – mas se necessários são feitos em avião. Se você perguntar para qualquer um: sendo possível viajar de A para B em um veleiro e no meio do caminho ainda visitar belas paisagens, nadar em águas cristalinas, ver uma fauna incrível e praticamente intocada, o que preferia? Não preciso nem realizar uma pesquisa, a escolha seria o veleiro. A não ser que você tenha pavor de mar aberto. Um medo grande mesmo, não apenas um receio do desconhecido.

E ai, vamos fugir para cá? 🙋🙋‍♂️ Praia, sombra e águas cristalinas de #SanBlas 💙 #ExperienceTheWorld #ViajarVerViver

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Nós planejamos realizar esse trajeto com meses de antecedência. Sabíamos que cruzaríamos a Região (ou estreito) de Darién em uma embarcação. Mas demoramos para decidir qual. Lendo bastante descobrimos diversos sites (os links deixarei no final) e um número ainda maior de embarcações para escolher. A maioria sendo catamarãs e veleiros, com motor para auxiliar no deslocamento.

Todos já incluem o básico: acomodação, comida e bebida (não alcólicos) e alguns possuem alguns “mimos” como equipamento de snorkel (máscara, tubo de snorkel e nadadeiras), equipamento de pesca, stand-up paddle e kayak.

Vista de ilha com apenas uma família moradora a partir da Amande 2

Nossa escolha então se baseou em fatores que fomos descobrindo com muita leitura. Como tinhamos tempo – então poderíamos escolher entre várias opções disponíveis. Nós focamos no estilo do barco (para evitar um mega festeiro) e nos reviews do capitão. Além dos reviews das companhias que vendem os barcos e o apoio que eles dão.

Levando tudo em consideração, acabamos por escolher o Amande 2. Ele partiu do Club Nautico em Cartagena no dia 19 de janeiro e a seguir contamos como foi nossa experiência na embarcação.

Vista do mar a partir de uma ilha de San Blas

Como foi (dia a dia)

O dia 19 de janeiro vai ficar marcado para nós, foi o dia que roubaram todos nossos equipamentos em Cartagena. Mas também era o dia que partiríamos para o Panamá no que prometia ser uma viagem dos sonhos pelo caribe e as ilhas de San Blas. Após resolver tudo com a polícia local nós partimos, por volta das 19h, de táxi até o Club Nautico em Manga.

Chegando lá encontramos com os outros turistas que fariam o trajeto conosco. Éramos em 14, havia 1 casal australiana/britânico, 1 casal austríaco, 5 alemãs, 2 dinamarquesas, 1 finlandês e nós! Já o capitão era francês (Paco) e sua namorada – Venezuelana – que o ajudava. Antes de partir fomos até um supermercado Carulla para comprar vinho e cerveja.

O embarque foi feita aos poucos, cada quarto foi sendo preenchido um a um. No nosso quarto – o menor de todos – ficou o finlandês, o que acabou sendo um problema para ele. A cama dele era a menor do barco e o cara tinha quase 2m de altura. Compartilhar o quarto com alguém não é um grande problema, principalmente por que pouco se fica nele. Mas é bom falar com o capitão – que é quem decide quem dorme onde – caso você acha que sua estatura pode ser um problema.

Todos a bordo, âncora levantada, o primeiro foco era sair da baia e enfrentar o mar aberto. Eu, Marcos, junto com alguns outros turistas logo já estávamos no chão do convés e passando mal icon-frown-o Ótima forma de finalizar um dia para esquecer.

Barcos em frente a ilha em San Blas

Eu dormi fora do quarto, regularmente dando de comer aos peixes icon-smile-o e apesar de tudo amanheceu um lindo dia e o barco seguia a todo vapor rumo ao, aparente, nada. Os primeiros dias – para quem parte de Cartagena – são monótonos, mar aberto, geralmente com bastante onda. Porém, em um muitas manhãs foi possível avistar golfinhos acompanhando o barco e muitas vezes interagindo.

Para quem está planejando sua viagem dizem que o trajeto Colômbia-Panamá é o melhor sentido para fazer a viagem, passando pelo pior e depois só curtindo o sol e o mar calmo de San Blas.

Ao total foram 5 dias no barco, sendo 2 noites inteiras de mar aberto. Fomos chegar as primeiras ilhas do arquipélago de San Blas já era quase meio dia. Logo caímos no mar para lavar a alma e ainda tivemos tempo de fazer snorkeling antes do almoço! Dali em diante sabíamos que era só curtir.

A comida é geralmente feita no barco, então tudo que levam de Cartagena deve ser o suficiente para todos comerem. No nosso caso, nossa ida ainda contava com um jantar em uma das ilhas do arquipélago. O capitão e sua namorada se juntaram com alguns locais e fizeram um churrasco. Para quem não comia carne, teve a opção de peixe.

Os últimos dias do passeio foram sempre o mesmo roteiro, acordar e tomar café, velejar até uma ilha, curtir a manhã, almoçar e após velejar para uma nova ilha, curtir a tarde até o pôr-do-sol e aguardar o jantar. icon-sun-o  icon-anchor

Nesse meio tempo conversávamos entre nós sobre curiosidades sobre nossos países e desobríamos semelhanças também. Cantamos músicas da Disney em nossos idiomas, além dos hits que saíram de cada um dos países. No nosso caso foi “Ai se eu te pego”, já que essa era a única que todos conheciam do Brasil. Uma das poucas fotos que estavam todos juntos!

No último dia (completo) no arquipélago, nosso capitão foi fazer os trâmites de entrada no Panamá para todos nós. Enquanto isso nós curtimos os belos corais e a presença de um pequeno tubarão que veio nos visitar. Além de trazer nossos passportes com o carimbo, o capitão ainda organizou nossa ida de barco até o continente no dia seguinte e, melhor ainda, nos trouxe jantar, lagosta!

Na manhã seguinte, após o café, chegaram os pequenos táxi-barcos, foram dois ao total, que nos levaria de volta para o continente. Ali havia acabado nossa incrível estadia no Amande 2. Quando chegamos no continente nós mesmos tivemos que acertar o trajeto até a Cidade do Panamá – que basicamente era pagar o trajeto e aguardar. Aproveitamos para nos dividirmos entre os carros que iriam para o mesmo lugar. O trajeto até a capital levou mais de duas horas, então é bom aproveitar o banheiro do restaurante para acelerar a chegada.

Com quem fizemos o tour

Blue Sailing
www.bluesailing.net/
Laurel
bluesailinginfo@gmail.com

Ainda há diversos outros sites que pesquisamos, alguns sendo: Sailing Koala sailingkoala.com (chegamos a trocar emails com o Capitão Fabian – fabian@sailingkoala.com – mas não havia as datas que acabamos querendo); Sail Colombia Panama https://sailcolombiapanama.com/; e Colombia Panama Sailing colombiapanamasailing.com. Alguns vendem os mesmos barcos e tendo mesmo preço, então no fim fica por conta da qualidade do atendimento.

Quanto custou
US$ 550,00 por pessoa.

Outros gastos – por pessoa – ainda incluíram: entrada em San Blas, US$ 20 e transporte (barco táxi e depois carro até a Cidade do Panamá) US$47.

Quando fomos
Dos dias 19 a 24 de Janeiro de 2017.

Quando ir

Vá o ano todo! No sentido de temporadas, o arquipélago de San Blas pode ser dividido, basicamente, em dois. “Chuvoso”, de Junho a Dezembro, quando os dias alternam entre dias ensolarados e dias nublados e com possibilidade de chuva. Mas pode considerar como as chuvas de verão, pelo menos no sudeste, do Brasil. “Seco”, de Janeiro a Maio, quando os dias são muito ensolarados porém com mais vento.

A chuvosa é considerada a baixa temporada, há menos turistas, e há pouco vento. Quase zero vento. Isso torna essa época a melhor para realizar passeios como snorkeling – já que as águas estarão mais transparentes – porém nada legal para embarcações a vela.

Durante a alta temporada, quando venta mais, as águas ficam um pouco mais turbulentas. Mas nada que atrapalhe. Por conta disso, muitas embarcações, realizando o trajeto Panamá – Colômbia, mudam sua rota. A viagem passa mais próxima da costa. De Cartagena (Colômbia) ao Panamá, a rota segue basicamente a mesma já que as embarcações viajam com o vento a seu favor.

Ferry de San Blas naufragado próximo a ilha

O que levar

É comum os turistas estarem viajando com uma mochila (ou mala) grande. Por conta disso as empresas indicam fazer uma mala menor somente com as coisas que precisará durante a viagem. Apesar de ninguém nos indicar onde ficariam nossas malas, elas acabaram ficando abaixo das nossas camas. Em último caso poderíamos buscar algo nelas.

Abaixo deixamos uma lista de coisas necessárias. Essa lista provavelmente será parecida com a que a empresa lhe enviará antes de embarcar.

  • Roupas leves (suficiente para 4/5 dias)
  • Lanterna
  • Roupa de banho (sunga/biquini)
  • Blusa/jaqueta leve (não que faça frio, mas uma leve brisa)
  • Protetor solar
  • Repelente
  • Remédio contra enjoo (Dramim ou mareol)
  • Camera e carregador (geralmente há gerador ligado por algumas horas durante a noite)
  • Qualquer tipo de eletrônico
  • Livro
  • Lenço umedecido
  • Artigos de higiene pessoal
  • Toalha (para o banho e para o mar/praia)

Outras dicas

Algumas coisas são importantes saber antes de ir:

  1. Durante a temporada alta (Janeiro a Maio), as embarcações tendem a lotar com semanas de antecedência;
  2. Não é um tour de luxo. Apesar de poder ser considerado salgado o preço, é visto com bons olhos turistas que ajudam com a limpeza. A principal preocupação do capitão é te levar ao destino com segurança.
  3. Leva um sabão/sabonete neutro, o melhor sendo um sabão de coco, que não agrida o meio ambiente.
  4. Banho. É uma pequena aventura! A forma indicada é: se joga no mar e se lava (vide item acima). Depois vai ao banheiro para tirar a água salgado do corpo.
  5. A torneira para lavar as mãos sai e faz a vez de um chuveiro. Mas imagina tudo do tamanho de um banheiro de avião. TUDO molha. Então é bom encarar o chuveiro apenas de sunga/biquini e terminar de se vestir no quarto.
  6. Os banheiros são pequenos, como disse, e não há muitos. Nossa embarcação havia 2 banheiros para dividir em 12 pessoas. Os 2 casais que estavam na suíte privada possuem cada um seu banheiro.

Marcos

Nascido na Austrália, 28 anos, formado em Administração de empresa. Primeiro aventura foi em 2007 em um mochilão pela Bolívia e desde então não parou mais. Pratica esportes de aventura e ainda fotografa. Iniciante no mundo de vídeo (captação e edição).

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