30 coisas que aprendi sobre Diamantina


capa_diamantina_Gloria (Foto: Claudia Pelegrini)

Vivemos em uma sociedade (ou uma era de pessoas) extremamente esquecida(s), provavelmente por causa da Internet. Ela se tornou nosso cérebro, pelo menos a parte que compete a memória, qualquer coisa é só GoogleIt (tanto que já virou verbo). Com tanta informação que recebemos fica difícil lembrar datas, pessoas e afins. Por conta disso decidimos listar o que aprendemos em walking tours que fazemos, para que esse aprendizado nunca se perca.

1) Diamantina possui esse nome desde 8 de março de 1838. Antes disso era chamada de Arraial do Tijuco (ou Tejuco) entre 1713 e 1832 e depois Vila Diamantina entre 13 de Outubro de 1831 e 1838.

2) Diamantina fica a mais ou menos 300km ao norte de Belo Horizonte e é considerado o fim da Estrada Real, ou o começo dela, já que os minérios e pedras preciosas escoavam pela outra ponta da estrada (em Paraty e Rio de Janeiro ).

3) Os primeiros diamantes foram descobertos em 1720.

4) Entre 1755 e 1779, durante o 4º contrato, foi o período que mais se encontrou pedras preciosas.

5) Uma das personagens mais famosas da cidade, quiça do império, Chica da Silva, nasceu em Serro, ali perto, mas foi em Diamantina, na época ainda Arraial do Tijuco que ela ficou conhecida por todos. Seu nome era Francisca da Silva de Oliveira, ela era negra e manteve um relacionamento (conhecido por todos) com o rico, estudado e branco João Fernandes de Oliveira.

6) João Fernandes era filho de contratador – nome dado a função daquele que tinha o direito, adquirido junto à coroa, a explorar os minérios e pedras preciosas, neste caso principalmente o Diamante.

7) Seu pai, de mesmo nome, tinha sido contratador desde 1740, ano também que ocorreu a proibição da mineração para aqueles que não tivessem contrato com a coroa portuguesa.

8) Chica da Silva era escrava de Manoel Pires Pardinha (médico) e teve um filho com ele, Simão Pires da Pardinha.

9) O médico foi quem recebeu João Fernandes em sua chegada ao Arraial do Tijuco em 1750, com um jantar. Assim ele conheceu Chica da Silva. Ela com um filho e mais ou menos 14 anos. Comprada por João Fernandes, ela foi então alforriada.

10) Alforria é quando o proprietário de um escravo os libertava. O documento que eles recebiam, chamado de carta de alforria, era como se indicava a abdicação do escravo.

11) Claro que na época ninguém – da elite – gostou do relacionamento dos dois, mas eram obrigados a conviver com ele, pois João Fernandes era muito rico. Já os negros e pardos, adoravam João, também por ele ter apadrinhado mulatos e escravos.

12) Eles tiveram 13 filhos em um relacionamento que durou 15 anos, quatro eram homens.

13) Há um relato dos mais curiosos envolvendo os dois e a Ordem Terceira do Carmo. O projeto da Igreja Nossa Senhora do Carmo foi idealizado pela Ordem, porém foi financiada totalmente pelo João Fernandes, o qual definiu que a Igreja ficaria próximo de onde ele trabalhava, na Casa do Contrato (e também de onde morava com a Chica) e a torre com o sino foi colocado no fundo da igreja – e não na frente como de costume.

14) O por que do sino ter sido colocado no fundo se manterá um mistério. Três versões são contadas: I – Ela frequentava uma capela que havia no local, então o sino foi colocado no local da capela; II – havia uma lei que proibia que negros/escravos passassem da torre de uma igreja, logo eles nunca entravam já que a torre sempre ficava na frente. Colocando ao fundo ela poderia frequentar a igreja; III – conhecendo o caráter peculiar da Chica da Silva, também surgiu a história de que ela não queria ser importunada pelo barulho do sino, então este foi colocado o mais longe possível de sua residência.

15) João Fernandes mandou construir um castelo ali perto para sua amada, conhecida como a Rainha do Arraial do Tijuco. Ela era devota de Santa Quitéria.

16) Sua casa, hoje conhecida como a Casa de Chica da Silva, possui 16 cômodos.

17) Em sua casa, foram utilizadas Muxarabiê, sacada com treliças nos balcões. De forma que era possível ver o movimento na rua, porém não era possível ver nada dentro da casa. Isso é uma influência dos árabes, assim como a palavra alforria, que tem origem árabe e significa liberdade.

18) Em 1770, João Fernandes era considerado o homem mais rico do Brasil.

19) Foi então que João Fernandes foi obrigado a ir à Portugal e levou seus quatro filhos homens, para estudar.

20) Chica da Silva, mesmo com o marido longe, seguia sendo poderosa no Arraial. Distribuia comida aos pobres, uma forma de afrontar a burguesia local.

21) Em 1779, João Fernandes faleceu e inicia os saques de sua casa no Arraial e seu castelo. Em 16 de fevereiro de 1796 Chica da Silva faleceu.

22) A Igreja Nossa Senhora do Carmo também ficou conhecida como a Igreja Chica da Silva. Mesmo assim era a Igreja dos brancos ricos da cidade.

23) A antiga Casa de Contrato hoje em dia é a residência do Arcebispo.

24) A Igreja Nossa Senhora do Rosário era a igreja dos escravos e foi construída durante a noite, entre 1728 e 1731. Depois, em 1771, a Igreja ganhou a torre e o altar mor. A Capela Imperial do Amparo é a igreja dos pardos. Já a Igreja São Francisco de Assis foi construída em 1776, é dos brancos pobres.

25) Há ainda a Catedral Metropolitana de Santo Antônio, bem mais nova (entre 1932-40). A demolição da antiga igreja de Santo Antônio do Tijuco deu lugar à atual catedral.

26) A antiga Casa do Intendente, hoje prefeitura, possui uma história curiosa, porém sem registros históricos oficiais. Há um fosso, de mais ou menos 7m, com paredes de pedra e lanças afiadas de madeira e a história diz que vendedores de diamante eram soltos nesse fosso logo após entregar suas pedras preciosas para as mãos do intendente. Durante a noite, os escravos tratavam de limpar o fosso, através de um túnel e desovavam os corpos em outros locais. Hoje, é a antessala do prefeito de Diamantina.

27) Diamantina foi considerada Patrimônio Nacional em 1938, mas isso não impediu que construções antigas fossem destruídas. Somente em dezembro de 1999 foi considerada Patrimônio Cultural da Humanidade e pouco a pouco a cidade busca se restaurar.

28) A Casa da Glória, construída entre 1775 e 1800, também possui algumas histórias interessantes. Era sede dos intendentes, porém esses foram embora com a casa de prostituição que havia na frente. No lugar? a casa do Bispo. Este também não aguentou os gemidos vindo do outro lado da rua e então virou um orfanato, Nossa Senhora das Dores. Para combater os pecadores, altares foram posicionados próximos a janela para quando os homens olhassem pela janela veriam santos olhando de volta para eles. Finalmente as freiras conseguiram comprar a casa e em seu lugar aumentaram a escola e então se tornou uma escola apenas para meninas. Todos os ricos queriam suas filhas estudando lá, mas ter que atravessar a rua entre aulas se tornou um problema aos olhos das freiras, então se fez o passadiço e o único contato que as internas tinham com os moços eram por pequenas janelas.

29) Diamantina também foi onde o ex-Presidente Juscelino Kubitschek nasceu em 1902. Antes de ser Presidente (e Brasília ser construída) ele também foi prefeito de BH, Deputado Federal e Governador de Minas Gerais e Senador (por Goiás). JK era Médico.

30) Até hoje em dia há as Serestas, normalmente toda sexta-feira a partir da praça JK até o mercado velho; Vesperatas com músicos nas sacadas da Rua Quitanda (geralmente entre Março e Outubro, 2x ao mês) e Saraus aos domingos (na Igreja São Francisco).

Marcos

Nascido na Austrália, 28 anos, formado em Administração de empresa. Primeiro aventura foi em 2007 em um mochilão pela Bolívia e desde então não parou mais. Pratica esportes de aventura e ainda fotografa. Iniciante no mundo de vídeo (captação e edição).

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