Manaus é a capital do estado do Amazonas, considerado o coração verde do Brasil. Conhecida por estar localizada no meio da maior floresta tropical do mundo, a cidade vai além da fauna e flora exóticas: ela surpreende ainda pela força industrial, científica, cultural, gastronômica e, como não poderia deixar de ser, turística.
Em uma despretensiosa caminhada por suas ruas (que são quentes, sempre muito quentes!) já fica fácil compreender o porquê ela figura entre os dez destinos preferidos dos turistas no país. É quase impossível não se sentir acolhido por alguns dos seus 2,1 milhões de habitantes, ou não se impressionar com a extensão e força de seus rios, ou com as cores e os traços históricos de sua arquitetura. Tudo em Manaus pulsa, e a natureza exuberante é só uma das muitas maneiras que a cidade tem de vibrar.
Como chegar em Manaus
Cheguei de avião em Manaus, após quase 5 horas de vôo. A saída foi pelo Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro , e o pouso aconteceu no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na capital amazônica.
Eu não posso dizer que “escolhi” ir de avião porque eu só poderia ir de avião, já que não há ônibus para lá – e mesmo que houvesse, nem consigo calcular quantos dias seriam necessários sacolejar na estrada até o destino final!
O preço da passagem não é dos mais convidativos se comparados a outros destinos nacionais, fica entre R$500 e R$800 por pessoa. É verdade que a hora de pagar é chorosa, mas eu juro que o investimento compensa!
Como se locomover
A melhor forma de se locomover em Manaus é a pé, com certeza – especialmente se você estiver hospedado na região Central, que é perto dos principais pontos. Querendo conhecer algum lugar mais distante, táxis são uma boa escolha pela comodidade e preço baixo (se comparado aos do Rio, pelo menos).
O que fazer
Quando o assunto é “atividade”, Manaus é uma cidade riquíssima, com opção para todos os gostos! Comecei minha estadia aproveitando o chamado “tour completo”, um passeio fechado pelo hotel com uma agência, que durava de 9h às 16:30h e incluía várias experiências, que vão desde ver o encontro das águas até visitar uma comunidade indígena. Como eu ficaria apenas 2 dias na cidade, achei muito vantajoso fechar essa programação, que apesar de rápida foi muito intensa.
O dia iniciou com uma Van me buscando no hotel e me levando até a zona portuária de Manaus, de onde saem os barcos. O Porto de Manaus é o maior porto flutuante do mundo, e atende aos estados do Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre e parte do Mato Grosso. Bem próximo ao porto você também pode conhecer o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, um dos maiores espaços de comercialização de produtos e alimentos da região amazônica.
Porto de Manaus
A primeira parada do passeio é no Encontro das Águas, uma das principais atrações da cidade. A união dos rios Negro e Solimões impressiona pela beleza. É como se os dois rios só se tocassem, sem se misturar. Há uma série de razões para que esse fenômeno ocorra. O guia citou algumas, como a diferença na temperatura da água (Negro é quente e Solimões é frio) e velocidade (Negro mais lento e Solimões mais veloz).
Encontro do Rio Negro e Solimões.
Até a próxima parada, uma feira de artesanato local, foi gostoso observar o movimento do rio e ver de perto como é a vida da população ribeirinha, que se locomove de barco (tem até um “barco escolar”, que é o transporte responsável por levar a criançada até o colégio), abastece em postos de gasolina flutuantes e pode inclusive mudar a casa de lugar quando quiser, tendo apenas que soltá-las e deixa-las flutuar até um novo lugar. Impressionante, não?
Casas flutuantes e o “barco-escolar”, em amarelo.
Feira de artesanato local e suas obras indígenas.
A atração seguinte foi em terra: ver vitórias régias de pertinho (e vários jacarés também!) e desbravar um pouco mais a natureza local. Esse foi o momento em que – entre um ou outro voo de borboleta e várias peripécias de micos bonitinhos- o guia explicou melhor sobre as plantas e árvores da região, algumas tão grandes que nem 12 pessoas juntas conseguem abraçar seus troncos!
Jacaré filhote sobre uma vitória régia.
Um dos vários micos bonitinhos que apareceu no caminho.
Após uma merecida pausa para o almoço (repleto de pratos típicos e peixes dos mais variados), o passeio seguiu para o que o guia chamou de “interação com os botos”. O boto cor de rosa é o maior dos golfinhos fluviais, podendo chegar a até 2,5m e 185 kg. Achei interessante saber que só os botos adultos são da cor rosa, os bebês são cinza; e que a cor se deve às veias que ficam sob a pele.
No passeio, estacionamos o barco, subimos em um deck, colocamos o colete salva-vidas e mergulhamos nas águas deliciosas do Rio Negro. Enquanto nos ambientávamos ao rio, um profissional sacudiu uns peixes para trair os botos, que vieram rapidamente e encantaram a todos. Fiquei feliz de viver essa experiência porque vi que não há qualquer tipo de maltrato aos botos, e que eles vivem livres no rio, sem cativeiro e nem oferta de alimentos que fogem da dieta natural deles.
O momento mágico da interação com o boto cor de rosa.
A última parada do passeio foi em uma tribo indígena. A aldeia Tuyuka-Utapinopona nos recebeu com uma apresentação de dança típica, uma explicação sobre seus rituais e sua cultura, além da gentil oferta de seus quitutes (que incluía larvas e formigas assadas. Saborosas, por incrível que pareça!). Além disso, os turistas podiam comprar artesanatos de todo tipo e fazer pinturas típicas nos corpos por módicos R$2.
Entrada da aldeia Tuyuka – Utapinopona.
Depois da visita à aldeia, o passeio da agência chegou ao fim, mas eu segui por conta própria até a praia de Ponta Negra, localizada às margens do Rio Negro. Recomendo a ida para quem gosta de se banhar em águas mansas, e recomendo ainda mais enfaticamente que o banho se estenda até o pôr-do-sol, que é de cair o queixo!
Pôr do sol em Ponta Negra.
No dia seguinte, os passeios foram pelo Centro da cidade. A maioria dos pontos turísticos do Centro ficam em torno do Largo de São Sebastião, patrimônio histórico e cultural do Estado do Amazonas. Pode-se dizer que o Largo é a síntese da influência do movimento francês Belle Époque na região, que motivou grandes transformações urbanísticas na cidade e cultivou a necessidade de novos patrimônios urbanos, como o Teatro Amazonas, a Igreja de São Sebastião, o Monumento à Abertura dos Portos e várias Casas de arte.
Largo de São Sebastião com seu monumento ao centro, o Teatro Amazonas à esquerda e a Igreja de São Sebastião à direita.
O primeiro ponto que conheci pela área foi a Casa de Eduardo Ribeiro, que foi o primeiro senador negro do Amazonas e um homem visionário que contribuiu na construção do Teatro Amazonas e agilizou todo processo de urbanização da Manaus dos anos de 1890.
Quarto do Eduardo Ribeiro. Um dos cômodos que a casa permite visitação.
Bem perto dali está o majestoso Teatro Amazonas, um dos monumentos mais famosos do Brasil, símbolo principal de Manaus e palco de diversos eventos de arte e cultura da cidade. Por R$20 é possível fazer uma visita guiada e compreender melhor cada detalhe da sua belíssima arquitetura e a importância que o teatro teve durante o Ciclo da Borracha, bem como o valor de tal obra para o cenário cultural brasileiro e internacional.
Detalhe do teto do Teatro Amazonas. O desenho foi inspirado na Torre Eiffel, uma forma de homenagear a França, grande referência de classe e cultura da época.
Infelizmente o Palácio Rio Negro estava fechado quando fui, mas ainda deu tempo de conhecer outros dois lugares: o MUSA, Museu da Amazônia e o Palacete Provincial. O MUSA do Largo é um espaço cultural que, através da realização de exposições, palestras e conferências, objetiva popularizar a ciência na região. Muitos dos temas trabalhados no MUSA do Jardim Botânico, o famoso museu a céu aberto e segmento da Reserva Florestal Adolpho Ducke, são abordados também no Largo.
Parte do galpão do MUSA do Largo.
Um pouco mais distante dali (vale ir de taxi nesse caso), está a charmosa Praça Heliodoro Balbi, onde fica o Palacete Provincial. O Palacete é um conjunto arquitetônico que abriga vários museus e afins: Museu de Numismática Bernardo Ramos, Museu da Imagem e do Som do Amazonas, Pinacoteca do Estado, Museu de Arqueologia, Museu Tiradentes e Ateliê de Restauro de Obras de Arte, além do Gabinete do Comandante Geral da Polícia Militar do Amazonas, com mobiliário de época, livros e objetos dos membros da corporação.
Quando ir
Dizem que Manaus tem duas estações: seca (entre junho e novembro) e chuvosa (entre dezembro e maio). No geral, é uma cidade quente e úmida o ano inteiro, chegando a marcar 40C com frequência. Cada “estação” proporciona uma experência de viagem diferente. Então, se você quiser aproveitar as praias fluviais, vá na seca, que os rios estão rasos; já se você prefere curtir um igapó (parte alagada da floresta, resultante da cheia dos rios), vá na época chuvosa. É uma questão de gosto…Mas, independentemente de quando decidir ir, a dica é a mesma: não esqueça de usar protetor solar. E repelente!
O que levar
Como Manaus é sempre quente, a mala deve ser típica de verão: roupas leves e frescas! Leve shorts, camisetas, vestidos de alça para algum evento mais arrumadinho, sapatos abertos e chinelo. Se você é do tipo que curte se embrenhar na natureza, é importante levar também roupa de banho, roupa apropriada para trilha/exercício e um tênis confortável.
Onde Comer
Não tem como ir à Manaus e não provar o famoso Tacacá da Gisela. Apesar da fama, o local é bem simples: uma barraquinha na praça São Sebastião, bem em frente ao Teatro do Amazonas. O tacacá é um prato típico do Norte que leva goma de mandioca, camarão, tucupi, jambu e muitos temperos. A cuia (grande e super charmosa, revestida em um cestinho de vime) custa R$20.
O famoso Tacacá da Gisela.
Uma boa dica é, após se fartar de tacacá, tomar de sobremesa um sorvete da Sorveteria Glacial, que tem uma lista com dezenas de sabores característicos da região, como Açaí, Buriti, Taperebá, Cupuaçu, entre outros. Difícil até de escolher!
Sorvete Glacial, uma opção típica e refrescante para amansar o calor manauara.
Aos domingos, a sugestão é saborear tudo que tem na Feira da Eduardo Ribeiro. A feira é grande e variada, e lá é possível adquirir souvenniers de todo tipo, artesanatos e muita comida! De todos os quitutes que provei, elegi como favorito o X-Caboquinho, um sanduíche recheado com tucumã, queijo coalho e banana frita. De comer rezando!
O apetitoso X-Caboquinho, minha iguaria favorita!
Onde ficar em Manaus
O Centro da cidade é um ótimo lugar para se hospedar por conta da comodidade. Vários pontos turísticos e restaurantes conhecidos estão localizados no Centro, especialmente próximos da Praça São Salvador, e dá para acessá-los com tranquilidade a pé em poucos minutos de caminhada.
Estar na região central também facilita a vida dos que pretendem fechar passeios com agências, já que grande parte delas busca os clientes em hotéis que estão na rota do Centro. Eu me hospedei no “Boutique Hotel Casa Teatro”, um hotel muito agradável, bem localizado, com um café da manhã delicioso e um preço super em conta. Recomendo!
Mapa
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