A primeira vez que decidi viajar sozinha foi com 18 anos. Eu tinha cabelos aloirados por conta própria, uma magrelice que nunca mais consegui alcançar, e uma estrada de quase 2.500 Km adiante – percorrida de ônibus em 22 horas, de Niterói- RJ até Cascavel- PR.
Na mochila eu levei algumas peças de roupa, um Walkman (existe isso ainda?) e um monte de medos. “Mas você é mulher, é perigoso!“, “Você vai se sentir deslocada, a solidão não vai ser legal…“, “E se você se perder? Quem vai te ajudar?“, “E se não se adaptar? E se o dinheiro não der? E se não for bom?“. Eram muitas perguntas e muitos NÃOS para cada SIM. Mas eu caí na estrada SIM, apesar de tudo isso. E foi ótimo! Foi a melhor coisa que fiz na minha vida!
Depois dessa viagem vieram muitas outras, dentro e fora do Brasil; e hoje eu tenho mais carimbos no passaporte e ímãs de pontos turísticos do que medos. Se você, mulher, também deseja dizer SIM para viajar sozinha mas tem um friozinho na barriga que ainda a impede de seguir em frente, confira abaixo 10 motivos para se libertar disso e embarcar agora mesmo!
1.Autoconhecimento
Viajar sozinha é uma excelente oportunidade para desconectar-se das exigências da rotina e conectar-se mais consigo mesma. Com menos pessoas e urgências ao redor é possível ter um tempo maior dedicado a própria companhia e, consequentemente, às próprias reflexões e à escuta de tudo que fala alto no íntimo, mas que por vezes se silencia pelo barulho externo.
Reflexões no alto da Berliner Dom. Berlim, Alemanha.
2.Liberdade de escolha
Viajar sozinha significa ter liberdade de ser o que se é e de seguir o caminho que tiver vontade, sem grandes explicações! Não existe necessidade de negociar qual será o programa da tarde, ou o horário da parada para o almoço, ou o tempo limite para apreciar uma exposição, por exemplo. Sendo você a dona da viagem, todos os planos são inteiramente seus, e é você quem decide para onde ir, o que fazer e quanto tempo usar em cada passeio. Autonomia total!
Duas Mulheres, duas Liberdades. Nova Iorque, Estados Unidos.
3.Economia
Ser uma viajante solitária é a maior alegria de um bolso! Sem um grupo acompanhando, você pode planejar sua viagem com antecedência (afinal, não é preciso negociar agenda de férias com ninguém, né?) e pagar menos em passagens aéreas e reservas, por exemplo. A hospedagem também sai mais barata quando se fica em quartos compartilhados de hostels, sendo o nível de economia pareado pelo nível de conforto que se deseja ter.
Quarto compartilhado em Paris, na França. O mundo inteiro em um único ambiente!
4.Novos amigos
Um dos maiores equívocos é pensar que a pessoa que viaja sozinha fica de fato solitária. Sempre há muita gente ao redor disponível à novas amizades, basta querer fazer contato! Quem fica em hostel, por exemplo, tem um prato cheio para socializar e conhecer pessoas de vários lugares do mundo. Os espaços de convivência do estabelecimento e os tours oferecidos facilitam a proximidade entre os hóspedes e a criação de novos vínculos entre eles.
Os passeios turísticos fechados por agências também são um bom plano para as que querem fazer amizade. Todo passeio é em grupo, e é quase impossível não estreitar a comunicação com aquelas pessoas– até porque se elas estão lá, significa que gostam das mesmas coisas que você, então assunto não vai faltar!
Amigos que conheci em Salvador, na Bahia, e reencontrei em Aracaju, no Sergipe
5.Maior bagagem cultural
Toda viagem proporciona conhecimento, mas nas viagens que fazemos sozinhas parece que há uma intensidade maior nesse processo de aprendizagem. Talvez isso aconteça porque o tempo de dedicação a uma atividade passa a ser fruto de uma decisão individual, então, por escolha própria, escolhemos nos dedicar mais e com mais calma aos temas e lugares que realmente nos interessam. A bagagem cultural que provém disso é enorme, mas felizmente as empresas aéreas não cobram taxa de excesso por ela. 😉
Tarde muito agradável e cheia de conhecimentos na Casa do Rio Vermelho, local onde Jorge Amado e Zélia Gattai viveram juntos por quase 40 anos. Salvador, Bahia.
6.Fotografias mais criativas
Sem ter alguém junto para assumir o papel de “fotógrafo pessoal”, fica um pouco mais complicado fazer fotografias, é verdade. Para uma viajante desacompanhada garantir um bom registro é preciso, ou (1) pedir a algum transeunte que faça uma foto, ou (2) usar recursos, como tripé e bastão de selfie. Quando não se tem esses últimos dispositivos, a dica boa é aproveitar apoios alternativos para a câmera, como uma pedra, um galho, a ponta de uma mesa ou um pedacinho mais proeminente de um muro. O resultado é sempre fotografias cheias de história e vários ângulos inusitados e criativos!
Acredite se quiser, essa foto foi feita com a câmera apoiada no único graveto existente em toda extensão da praia de Mundaú, no Ceará.
7.Autoestima
A mulher que viaja sozinha sente sua autoestima crescer na medida em que percebe o quanto seu corpo atende suas necessidades, favorece seu ir e vir, permite seus movimentos e a ajuda a conquistar e ocupar novos espaços. A mulher – que geralmente sofre com os padrões inalcançáveis de beleza impostos pela sociedade, e especialmente reforçados pela mídia –, percebe que não precisa ter um “corpo de revista” para ser ativa e se sentir bem consigo mesma. A partir do momento em que se reconhece a beleza de ser quem se é, com o corpo que se tem, cessam as brigas íntimas por razões estéticas e o amor próprio ganha força!
Registro batalhado, feito após trilha no Machu Picchu, Peru.
8.Empoderamento
Viajar sozinha é um ato de coragem. Quem viaja sozinha consegue dizer de peito aberto: eu consegui! Eu fui capaz! Eu sou capaz! A sensação de ser forte e competente o suficiente para vencer um desafio e superar uma dificuldade (ou muitas) empodera a mulher. Esse empoderamento nos faz mais conscientes da não-fragilidade do nosso gênero e do quanto somos aptas a fazer e superar tudo que queremos.
Primeira vez na neve, sob -17ºC. Chamonix Mont Blanc, Suíça.
9.Mais confiança em si e nos outros
O mundo é arriscado para mulheres, não há como negar; devemos mesmo tomar alguns cuidados em relação a segurança quando viajamos sozinhas. Evitar andar em ruas desertas e não usar objetos que chamem muita atenção são pequenos esforços que podemos fazer em prol do nosso resguardo. Entretanto, sendo tomados os devidos cuidados, o mundo também pode ser bastante receptivo a nós! E quanto mais viagens sozinhas fazemos, mais sentimos confiança em nós mesmas e nas pessoas, já que na grande maioria dos casos elas são legais, solidárias e partes felizes das histórias que construímos pelas estradas.
Feliz após um dia mágico em Manaus. Praia de Ponta Negra, Amazonas.
Leia aqui como foi minha viagem por Manaus.
10.Mais fome de mundo!
Depois que se viaja sozinha uma vez, se viaja sozinha muitas vezes! Quando a gente vê que é capaz de ir e se virar bem sem um acompanhante (mesmo em outro país, com outro idioma!) e que não existe nenhum bicho de sete cabeças por trás dessa experiência que de solitária não tem (quase) nada, a estrada deixa de ser uma rival e passa a ser uma amiga. Nos empoderamos ao nos apoderar do mundo. E isso nos faz cada vez mais apaixonadas e famintas por ele!
Pichação bem significativa em um muro de Brasília, Distrito Federal.
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